Quem diria, o ser humano precisa ser humanizado! Melhor seria: animalizado, se atentarmos para os exemplos que os animais nos dão.




Fico estarrecida ao assistir matérias como essa de ser preciso cadastrar torcedores para que se possa assistir em paz ao maior espetáculo desportivo do país.
É simplesmente deprimente saber a que ponto o ser humano chega, que precisa de controle coercitivo para evitar que sejam aflorados os mais introjetados sentimentos instintivos, o da violência a sua própria espécie.
Hoje na era digital, em um mundo globalizado, onde as informações chegam à velocidade da luz ainda predomina essa genotipia pré-histórica indo na contramão da evolução de todas as outras espécies conhecidas como “menos evoluídas”.
Atualmente, o homem dispõe de uma sapiência admirável prestes a se teletransportar pelo poder da mente, entretanto, ainda não consegue conter os seus instintos, que não podemos dizer animais, pois, os que são considerados assim, diariamente nos agracia com gestos de solidariedade, compaixão, amor e carinho pelas espécies diferentes.
O homem, espécie evoluída buscando sempre a melhor fenotipia necessita ser submetido a TAC- Termos de Ajustamento de Conduta para conviver em sociedade. Isso significa que o comportamento da mente humana transcende a matéria e busca origem espiritual.
Segundo Freud, o homem possui dois impulsos principais: o da sexualidade e o da agressão que se somam aos fatores ambientais e esse modelo de homem necessita de um alto grau de controle externo, institucionalizado para os impulsos, pois do contrário seria uma forma arriscada de vivência social. Para Freud, o homem vive em permanente conflito entre forças antagônicas existentes em seu interior.
O ID, a parte inconsciente, nem bom, nem mal, não possui lógica ou racionalidade, não conhece limites, apenas quer atingir os seus objetivos, livrar-se do acúmulo de energia do qual é reservatório.
O EGO gerado pelo ID faz o papel de mediador entre a liberação do prazer por este e as exigências externas, permitindo o seu afloramento no limite de uma racionalidade aceitável.
O SUPEREGO originado do EGO, é reforçado pelo complexo de Édipo e de castração. Aliado à cultura, à perpetuação das normas e dos valores sociais tem o papel de repressor dos outros dois agindo coercitivamente.
O EGO como mediador precisa se fortalecer para equilibrar e dominar o conteúdo inconsciente e obscuro do ID e do SUPEREGO.
Em virtude desse conflito egóico, Freud em seus estudos se mostrou cético em relação ao homem, pois, na sua visão a natureza humana é determinada, principalmente pelas pulsões e forças irracionais, proveniente do inconsciente e pelas experiências vividas na primeira infância, pela busca do equilibrio homeostático, ou seja, a harmonização espiritual, física e emocional que precisa existir simbioticamente.
Todas as criações humanas, quer artisticas, científicas, intelectuais são sublimações dos seus impulsos sexuais e agressivos, pois sem essas defesas seria impossivel viver em sociedade, visto que, pelos exaustivos exemplos vivenciados atualmente, conclui-se que está fora de cogitação vivermos em uma sociedade livre, sem o poder de coerção.
Freud afirmava que a hostilidade humana não tem limites, porque além de ser hostil com a sociedade é também com os seus companheiros mais próximos e, por que não dizer, principalmente com aqueles mais inofensivos e indefesos: os animais?
Afirma em seu texto:
“A sociedade civilizada está perpetuamente ameaçada pela desintegração por causa dessa hostilidade primária dos homens entre si… A cultura tem de recorrer a todo reforço possível a fim de eregir barreiras contra o instinto agressivo dos homens… Daí… seu mandamento ideal de amor ao próximo como a si mesmo ser realmente justificável pelo fato de que nada está tão completamente em desacordo com a natureza humana original. (Freud (1930), cit. por Walker, 1957, p.3)”
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